RECUPERAÇÃO DO CONSUMO
Marcel Domingos Solimeo
O desempenho de diversos segmentos da economia brasileira apontam para melhora da situação levando a que muitos considerem que “o pior já passou” , o que parece ser correto, mas alguns mais otimistas, já projetam crescimento do PIB em 2009, o que parece mais difícil de ocorrer. O consumo, especialmente, vem se recuperando. Deve-se ponderar que o desempenho não é uniforme em todos os segmentos, havendo a coexistência de resultados muito bons, como os de venda de veículos, e outros ainda negativos, como a produção de bens de capital e as exportações de produtos manufaturados.
Por isso, é difícil avaliar o comportamento da economia como um todo, mas tendo em vista o peso do setor industrial, que tem ainda grande influência no desempenho dos Serviços, talvez a melhor forma seja a de considerar o tamanho da queda desse setor a partir de setembro, quando a paralisação do crédito provocou queda violenta não apenas da produção industrial, como das vendas internas e das exportações e, principalmente, dos investimentos. A produção voltada para as exportações depende da demanda externa, que não deve aumentar no curto prazo, em virtude da crise que assola quase todos os mercados.
Assim, pode-se falar em recuperação da economia, em especial do consumo, mas não em crescimento, pois ainda falta bastante para voltarmos aos patamares de atividade econômica pré-crise, para, então, o país voltar a crescer. O crescimento sustentável da economia, no entanto, depende de investimentos, e somente quando o setor privado tiver retomado a confiança no crescimento dos mercados interno e externo ele retomará os investimentos.